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  • Renata Neves

Depressão infantil: vamos falar sobre isso?


Não, você não entrou na página errada, trabalhamos com espaços. Mas, mais que isso, trabalhamos com pessoas, para pessoas e por pessoas. E sendo assim, é importante compreendermos um pouco das necessidades emocionais delas.


Estima- se que hoje, a depressão infantil atinja cerca de 3% de toda a população infantil mundial. Mas o que leva a isso? E como podemos colaborar para prevenir e tratar essa doença? É o que a gente vai tentar explicar a seguir.


Sintomas



Sabe aquela criança que está sempre reclamando de dor de cabeça, ou de barriga? Ou que não consegue dormir sozinha, com medo, chorando a noite inteira? Ou que não demonstra interesse por nada e quer sempre alguém de confiança perto dela? Ela pode estar sofrendo de depressão.


O medo é comum a todas as pessoas, porém na criança ele costuma ser vencido quando há do outro lado uma recompensa que desperte seu interesse e a ajude a superá-lo. Um exemplo é quando ela pede para dormir na casa de um coleguinha, mesmo sabendo que estará longe da mãe. O prazer de poder brincar e dividir o momento com o amigo a faz superar o medo da distância. Porém em crianças deprimidas, isso não ocorre. Ela se acha sempre incapaz de superar os desafios e acaba desistindo de tentar, o que ao longo do tempo mina mais ainda sua auto-estima e autoconfiança.


Uma das maiores dificuldades em se diagnosticar a depressão infantil é porque os sintomas costumam ser confundidos com malcriação, pirraça, mau humor ou até agressividade. A grande diferença entre uma criança deprimida e uma não deprimida, porém, surge da constância, intensidade e persistência desses traços. Um exemplo é a queixa de dores físicas. Como a criança tem dificuldades de nomear os sentimentos, de compreender o que se passa dentro dela, ela costuma sintomatizar suas dores através de dores concretas e físicas, como dores de cabeça e de barriga. Fique atento à constância dessas reclamações nos pequenos.


Outro sintoma característico é o excesso de retração quando em grupo. Mudar de ambiente pode trazer insegurança inicial, porém as crianças tendem a ganhar confiança com o tempo, socializar mais e se soltar. Nas deprimidas isso não acontece. Elas tendem a permanecer quietas, caladas e inseguras e de não possuir nenhum desejo de explorar o ambiente. Lembre-se: crianças estão sempre em processo de descoberta, então é normal e característico de sua personalidade a curiosidade e a exploração. Quando esse traço não se manifesta, é bom ficar de olho!


Além disso, elas também costumam apresentar uma alta ansiedade de separação, o que ocasiona choros frequentes quando afastadas dos pais ou responsáveis. Também costumam desenvolver um grande medo de dormir sozinhas, o que traz muitos choros e reclamações, além de episódios frequentes de pesadelos. Elas também costumar ter dificuldades de aprendizado, que podem ser ocasionados pela desmotivação frequente por qualquer atividade, inclusive brincadeiras. Elas tendem a se sentir sempre incapaz.


As crianças deprimidas também podem desenvolver agressividade como forma de se defender dos seus medos, e comportamentos frequentes que podem por suas vidas em risco. Também costumam viver cansadas e com sonolência, ter perda de apetite ou apetite voraz por doces e até incontinência urinária e fecal. Preste atenção sempre a crianças que tendem a repetir frases como "ninguém gosta de mim" ou "não sei fazer nada" e aos comportamentos descritos acima e procure ajuda médica e psicológica.


Causas


Na maioria dos casos, a depressão infantil surge por fatores hereditários que são mais significativos do que nos adultos, porém algumas situações que tragam stress e desgaste emocional também podem influenciar na instalação da doença, como luto, perdas, separação dos pais, dificuldade de adaptação a situações novas ou mudança de escola e de casa, por exemplo.


Um dos fatores que acabam por contribuir com o quadro da depressão é a cobrança exagerada por parte dos pais e da sociedade em relação ao desenvolvimento da criança. Expectativas exageradas podem fazer com que ela passe a não acreditar em si mesma, e acabar por distribuir essa forma de pensar por todas as áreas da sua vida, culminando na desmotivação geral e no desenvolvimento da depressão.


Além disso, a falta de aceitação social da criança em seu grupo, e outros fatores como ausência dos pais e a falta de criação de vínculos positivos com outras pessoas podem colaborar para a instalação ou o agravamento da depressão infantil. Crianças que possuem características diferentes do dito padrão podem ser alvo de discriminação, bullying, pressão social e familiar e podem vir a desenvolver este quadro, levando a situações que tendem a piorar com o tempo e a idade se não tratadas a tempo.


Como ajudar


Primeiro precisamos pensar na prevenção. É importante criar um ambiente familiar saudável, que possa contribuir para um desenvolvimento emocional equilibrado na criança e no qual ela possa se sentir protegida e acolhida, pois esse ambiente será o suporte para que ela possa enfrentar as diversas dificuldades que venha a encontrar no ambiente social. Sendo assim, os pais precisam construir uma relação de confiança com seus filhos, onde possa existir amor, carinho, compreensão e amparo. Criar referenciais positivos ajuda para que elas não sintam que não podem usufruir da alegria e da felicidade na vida.


Além disso é importante que sua individualidade seja respeitada. Que elas possam ter suas capacidades intelectual e social preservada, que possam ser aceitas e incluídas nos ambientes que frequentam e que exista sempre respeito e empatia nas relações entre crianças e adultos.


Porém, se mesmo assim, a criança desenvolver um quadro depressivo, é importante procurar ajuda. Médico, psicólogo, pais e professores devem trabalhar em conjunto para que haja uma intervenção eficaz e que ela possa ser tratada da melhor forma possível. É fundamental conhecer quem são os amigos da criança, quais os seus gostos e desejos, quais são suas críticas e fantasias, por parte de todos que participam do processo de tratamento da mesma.


Os pais e professores podem ajuda-lá estimulando a brincadeira, ajudando para que ela participe de atividades recreativas e esportivas e que mantenha contato com outras crianças. Também é importante estimular o fortalecimento do laço afetivo entre pais e filhos, para que essas crianças possam se sentir amadas e acolhidas, independente de seus gostos, características ou escolhas.


Que tal também contribuir com o tratamento através de elementos do espaço? Podemos, por exemplo, criar espaços de arte para a criança poder se expressar através de desenhos, pinturas, escrita, música, dança. A arte é uma excelente ponte entre o interno e o externo e pode contribuir para o processo.


Estimular os gostos e preferencias da criança através de elementos no espaço íntimo dela como o quarto, por exemplo, pode fazer com que ela consiga resgatar o prazer da sua individualidade pessoal e de ser quem é.


Espaços que acolham, na escola por exemplo, também pode contribuir para a interação social da criança com outros pares, como mobiliários integrados, flexíveis, bancas em U, espaço de expressão, dentre outros.


Também podemos criar lugares de vínculo entre pais e filhos, como a mesa dos jogos, o sofá dos filmes, a coberta do dia de chuva. Lugares e objetos que sejam exclusivos para pais e filhos estarem juntos.


Com amor, respeito e acolhimento podemos contribuir de forma significativa para a melhora dos nossos pequenos.

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