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  • Renata Neves

10 de setembro: dia internacional da língua de sinais

#inclusão #acessibilidade #surdez


Hoje 10 de setembro, comemoramos o Dia Internacional da Língua de Sinais. E para que vocês compreendam a importância desse dia, vou contar um pouco aqui da história da pessoa surda na sociedade.


Rachel de Carvalho Pereira, em seu livro Surdez: Aquisição de Linguagem e Inclusão Social (2008), nos conta que na antiguidade, o Surdo era considerado como incompetente e impossibilitado de desenvolver a intelectualidade. Por isso, ele não tinha direitos legais e não podia também receber heranças ou qualquer tipo de responsabilidade e também era proibido de usar qualquer linguagem gestual para se comunicar. Já na Idade Média, os Surdos não podiam participar de sacramentos, incluindo o batismo. Porém aqueles filhos de pais ricos, eram educados e aprendiam a falar, ler e escrever, o que dava a eles o direito de herança. Nessa fase, os professores começaram a perceber que poderiam ensinar os surdos através tanto da fala quanto dos gestos, o que permitiu a criação de um código manual, libertando-os da necessidade da fala para se comunicarem.


Nos séculos XVI e XVII, surgiram as primeiras escolas para Surdos, que preconizavam a a importância da linguagem manual e que davam ênfase a que toda a família aprendesse a língua de sinais. Porém nessa mesma fase, surgiram as primeiras filosofias de base oralista, tornando o oralismo o método de educação principal. A autora afirma inclusive que o interesse no Surdo era apenas para que ele pudesse ler e escrever, para poder assinar a herança. Não existia um interesse genuíno na integração do surdo na sociedade.


Porém, no século XVIII, surgiu a primeira escola pública dedicada aos Surdos, o Instituto de Paris, onde se utilizava o francês sinalizado e onde começaram a existir moradias para surdos. Foi a partir daí que surgiram os guetos em Paris, onde os surdos podiam se comunicar entre eles, deixando a oralização apenas para as salas de aula. Em 1817 surgiu nos EUA a primeira Escola Residencial Pública (Hartford School) para surdos e em 1857, D. Pedro II criou o Imperial Instituto dos Surdos Mudos, hoje conhecido como Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES).


Apesar desses marcos na história, em setembro de 1880, na Convenção Internacional de Milão, foi imposta a supremacia dos métodos orais puros pelos educadores, ou seja, apenas a oralização era aceita como metodologia de ensino para os Surdos, sendo perseguido qualquer uso de sinais como método de comunicação. Este fato levou a uma extensa discussão entre as correntes que defendiam uma abordagem oral-manual e que defendia uma abordagem exclusivamente oral.


É claro que o processo de oralização para a pessoa Surda, que não conta com mais nenhum suporte de apoio à audição é extremamente penosa, limitante e excludente. Que provoca sofrimento, isolamento e limitações em relação à maturidade emocional, que se vincula de forma clara à construção de mundo que a linguagem traz. A língua de sinais traz a possibilidade de inserção da pessoa Surda na sociedade, onde cria condições de formação de vínculos com o outro e de construção da própria personalidade e valores.


Hoje possuímos tecnologia para oferecer suporte a criança, que desde pequenininha pode desenvolver a oralização de forma mais suave e menos penosa e de também devolver a audição àqueles que por motivos diversos, a perderam em determinada fase da vida. Porém é necessário compreender que pessoas diferentes têm diferentes necessidades, que para muitas crianças os suportes tecnológicos, por vários motivos, não trazem ganhos a médio e longo prazo e que a insistência em uma oralização disfuncional pode trazer muito mais sofrimento que ganho. Diante disso, precisamos pensar no indivíduo com ser único e não como parte de um grupo ou de uma estatística, respeitando suas necessidades e dando a ele o necessário para o seu desenvolvimento e o respeito devido à comunicação, expressão e inclusão social.

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